"Antes que o primeiro homem caminhasse sobre a terra, os anciãos já sabiam que o corpo humano é feito do mesmo sopro que move as folhas das árvores e do mesmo barro que molda os rios.Quando o velho pajé sentiu que seus passos estavam ficando pesados e seus olhos já não enxergavam o mundo visível, ele não sentiu medo. Ele chamou os jovens da aldeia e pediu que o deitassem na rede, sob o teto de palha da maloca.— Não chorem pela casca que deixo para trás — disse ele, com a voz suave como o vento da tarde. — O que vocês chamam de morte é apenas a terra reivindicando o que lhe pertence por direito.Meu corpo vai alimentar as raízes do açaizeiro, que por sua vez dará frutos para os filhos de seus filhos.O pajé fechou os olhos. Naquela noite, a comunidade não chorou com desespero. Eles cantaram para guiar o pey, o sopro vital do pajé, em sua viagem de volta ao peito do céu. Para eles, a morte não era uma interrupção da vida, mas o momento em que o rio individual finalmente deságua no oceano ancestral".Existe uma discussão profunda presa ao âmago humano sobre vida e morte, efêmero e etéreo, astral e físico desde que o mundo é mundo, e é aí que o filme "a natureza das coisas invisíveis" transita, não com a intenção de suscitar o debate, nem de trazer respostas ou alternativas, apenas convidando o telespectador para a reflexão e é nessa "nuvem de nada" que o longa se fundamenta.Antônia é uma mãe solteira que por falta de tempo e apoio cria sua filha Laura (que passou por uma cirurgia do coração ao nascer) praticamente dentro do hospital onde trabalha, tudo muda ao conhecerem Simone, mãe (também solteira) da pequena Sofia, cuja avó está em estado avançado de alzheimer.A história indígena, citada no início do texto, trás uma ideia de morte como algo natural dentro do que é a vida e o filme conversa com o público sobre isso, sem é claro banalizar a dor que sentimos de um ente querido, mas também trazendo uma simplicidade a um tema tão complexo como esse, a frase "a morte não é essas coisas ruim que o povo diz não, claro também não é uma coisa boa, mas é coisa da vida", proferida por uma personagem é a síntese dessa ideia. De um lado Antônia: cética que está voltada para a medicina e o lado científico, do outro Simone com um pé no espiritual que já teve experiência com o sobrenatural, e no meio disso as meninas que enxergam tudo de maneira pura sem necessidade de anular um aspecto e aceitar o outro (algo que a experiência adulta tira de nós), mas nem por isso menos a maneira infantil é subestimada pela obra.Afinal porque temos medo do pós vida? porque choramos quando alguém se vai? existe uma divindade? será que inventamos deuses para dar resposta ao que não sabemos explicar? ou não sabemos explicar coisas pois algumas são divinas? As perguntas sem resposta são as mais importantes e esse longa as contempla de forma emocionante.
Frangoelho é um animal metade frango metade coelho que sofre rejeição dos outros animais de onde vive, por conta disso deseja ser um aventureiro ( no estilo clássico Indiana Jones), e vê uma oportunidade de encontrar o artefato que pode salvar seu reino.
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