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Homem-Aranha: Um Novo Dia mantém viva a emoção da franquia

Novo capítulo do herói aposta em emoção, ação urbana e amadurecimento de Peter Parker para abrir uma nova fase no MCU.

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Imagem temática de cultura geek e universo dos quadrinhos
Imagem temática de cultura pop e universo geek.Crédito: Acervo Portal de Fato

Cinco anos após o lançamento de um dos maiores encontros da história da Marvel no cinema — Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, que reuniu os três cabeças de teia das telas —, um novo filme do escalador de paredes finalmente chegou. Para a alegria dos fãs, Um Novo Dia mantém a mesma chama ardente de emoção que essa franquia vem levando ao cinema. A expectativa estava devidamente alta, mas será que o resultado é realmente tão bom?

O Homem-Aranha é o tipo de personagem que talvez nem todo mundo ame, mas de quem todo mundo gosta. Isso acontece por causa da vida que ele leva: não é apenas um super-herói, mas também um ser humano que faz de tudo para sobreviver e, principalmente, pagar as contas. Essa simplicidade pode ser a porta de entrada para muitas pessoas prestarem atenção nele. O lado heroico, por sua vez, formaliza outra questão fundamental para o personagem: a responsabilidade.

O Homem-Aranha foi criado em 1962 pela mente de Stan Lee e pelos desenhos de Steve Ditko. Sua primeira aparição aconteceu em Amazing Fantasy #15. A estreia foi tão bem recebida que, logo em seguida, ele conquistou suas histórias solo.

Um Novo Dia é o quarto filme do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) desde 2017, quando seu primeiro longa-metragem solo foi lançado. A forma como o MCU vem tratando o personagem interpretado por Tom Holland justifica bem sua trajetória ao longo dos anos. Neste novo filme, Peter tenta lidar com a vida pessoal da maneira mais simples possível, enquanto seu papel heroico em Nova York é reconhecido pelos cidadãos. A dinâmica inicial, ou primeira camada, mostra exatamente isso: um garoto sozinho tentando viver a própria vida.

O filme se divide em alguns pontos dentro da própria história. Essa ideia vem diretamente do roteiro para dar aquele “gás” narrativo que cresce a cada acontecimento. A maneira linear de contar a trama, com vários personagens, dá sentido ao caminho escolhido: o do autoconhecimento e dos novos desafios pessoais, com uma boa carga de questões emocionais.

Como dito, o filme é, de certa forma, dividido. Os primeiros minutos concentram-se no bom e velho fan service, no qual as referências aos quadrinhos formam um quadro a cada frame. É lindo de ver na tela, saudosista para quem leu as histórias no lançamento e encantador para quem está chegando e conhecendo o personagem agora. É um convite para participar das próximas duas horas de filme.

Cada encontro com outros personagens traz naturalidade, pois Nova York tem vários defensores urbanos. A presença de Frank Castle dá vigor às cenas. O contraste entre o mau humor do Justiceiro e o bom humor do Homem-Aranha agrega bastante aos momentos cômicos: um agridoce adicionado da maneira correta.

Peter passa por um processo de amadurecimento de seus poderes. Seus instintos aracnídeos estão à flor da pele, a ponto de se tornarem quase incontroláveis. Essas mudanças afetam seu psicológico e fazem com que ele procure Bruce Banner em busca de respostas e de uma forma de neutralizar as alterações em seu DNA.

Nas cenas de ação ou nas sequências de maior carga dramática, é impossível não perceber o cenário ao redor dos personagens: Nova York quase se transforma em um personagem próprio. A maneira como Destin Daniel Cretton filma pequenos detalhes engrandece o contexto cênico do que está em pauta. Essa Nova York se assemelha muito àquela vista na trilogia dos anos 2000, dirigida por Sam Raimi e protagonizada por Tobey Maguire — o Aranha e Peter Parker favorito de muita gente.

Durante as filmagens deste novo capítulo, especulava-se que a trama seria urbana, pelas ruas da vizinhança onde o Homem-Aranha atua. Mesmo seguindo esse caminho, o filme mostra que é possível construir uma boa história sem pender para a complexidade: basta uma boa narrativa vinda das páginas dos quadrinhos.

No decorrer do longa, uma pulga atrás da orelha começa a incomodar quando a “ameaça” dá as caras. Uma ameaça invisível, que pula de mente em mente. Como o Aranha poderá pará-la? Essa forma de esconder o perigo, ao mesmo tempo que demonstra sua força, deixa claro que a produção fez uma escolha provocativa para prender a atenção e gerar a máxima curiosidade.

No campo dessa ameaça, a personagem interpretada por Sadie Sink — não revelaremos quem é, para evitar spoilers — sustenta a dúvida provocada pelo perigo. Ela não é exatamente uma vilã, mas uma antagonista movida por uma busca e que, durante essa jornada, revela algumas de suas habilidades.

Quando o primeiro trailer de Um Novo Dia foi lançado, surgiram muitas dúvidas sobre a participação de Zendaya, já que seu arco havia sido “finalizado” no filme de 2021. No entanto, existe um grande motivo para que ela e Jacob Batalon, o Ned, estejam presentes. Os dois se tornam a razão para Peter querer permanecer por perto, principalmente de MJ. A participação deles é tão importante quanto a de Jon Bernthal ou Mark Ruffalo. Como mencionado, o roteiro linear sabe colocar tudo em prática.

Assim como em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (2021), Destin Daniel Cretton também aplica em Um Novo Dia grandiosas lutas corpo a corpo e performáticas. O diretor entende que a ação faz parte desse universo, mas que a trama não precisa depender apenas dela. É aí que o espetáculo coreográfico começa a dar seus passos. Todas as lutas funcionam e fazem jus ao que o Homem-Aranha é: um protetor de todos aqueles que puder salvar.

Homem-Aranha: Um Novo Dia não vale apenas o ingresso, mas também a atenção e, principalmente, a admiração. Mesmo com a Marvel passando por altos e baixos, o cabeça de teia segue invicto na qualidade de suas histórias e confirma que Um Novo Dia trouxe um excelente novo capítulo a ser desenvolvido.

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