Não sou de fato um apreciador do cinema de David Robert Mitchell (diretor) e não sabia ao certo o que esperar desse novo filme — mesmo o trailer tendo sido algo que gerou uma enorme curiosidade por conta da premissa que viera a apresentar. Logo, O Fim da Rua mantém a essência do trailer e deixa claro que a carta na manga é sempre o elemento surpresa.
A única coisa que nos vem à mente quando pensamos em dinossauros no cinema são os visuais apresentados no grandioso Jurassic Park, de 1993. Spielberg quis criar uma vertente daquilo que é arqueologicamente e cientificamente correto, que mesmo com a diferença, o visual medonho dos seres que já reinaram na Terra vinha a ser um espetáculo durante os anos. Isso foi errado? Não, e digo mais: isso foi revolucionário ao ponto de muitas outras obras seguirem o mesmo padrão.
Mas... assim como a História, os dinossauros estão perdendo seu espaço no cinema? Em paralelo ao grande meteoro que desastrou o mundo há bilhões de anos, na atualidade vemos a catástrofe se repetindo, mas desta vez na ficção. O meteoro do entretenimento cinematográfico foi a mesmice durante os anos, fazendo com que cada filme apenas recicle aquilo que já foi visto no filme antecessor.
O Fim da Rua chega aos cinemas na esperança de mudar esse consentimento — essa bolha da mesmice e falta de coragem de dar um passo importante para remodelar aquilo que fora revolucionário no século passado. Com essa força de vontade, o filme cria para si um bom status "dinossauresco" que também envolve uma pitada de viagem no tempo. O que poderia dar errado?
Um filme lançado em 2023 que continha uma história sobre viagem no tempo onde um homem é teleportado para a época dos dinossauros e troca tiros com o Tiranossauro Rex numa premissa totalmente quebrada, sem pé nem cabeça (65 - A Ameaça Pré-Histórica), confirma que qualquer coisa pode ser uma história. A viagem no tempo não é algo original no cinema — e nem mesmo para essa nova época —, mas há filmes que abusam da "criatividade" para se tornar apenas um filme feito, e nada mais do que isso.
O pouco cuidado que o roteiro de O Fim da Rua, escrito também pelo diretor, tem traz essa responsabilidade consigo: a de não cair no limbo da chatice ou de transformar a sua trama em algo que agradará a uma massa grande de zero pessoas. O roteiro atende a essa demanda de maneira sutil, tanto que nem se arrisca a se aprofundar no porquê dessa viagem no tempo; apenas acontece, e isso dá certo, já que a pauta é outra coisa: sobreviver.
Um evento cósmico transporta através do espaço-tempo, de uma era para outra, o bairro de Oak Street, onde a família de Greg reside. Sem paradeiro do que pode ter acontecido, essa família — e as pessoas que moram nesse bairro — começam a lutar por suas vidas contra as forças da natureza daquela época: os temíveis dinossauros.
A tensão começa a aumentar quando o "desconhecido" também se torna uma ameaça, e é aqui que o cenário começa a ganhar determinado destaque de uma cena para outra. Logo, o cenário é o campo de batalha e sobrevivência entre o ser humano inexperiente à mercê do pavor contra as criaturas que caçam a todo momento.


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