Quando O Silêncio dos Inocentes chegou aos cinemas em 1991, tornou-se um marco instantâneo. O filme reinventou o thriller policial ao entregar um roteiro cheio de camadas e uma atuação monumental de Anthony Hopkins como Hannibal Lecter. Com tamanho impacto, era inevitável que o longa se tornasse a principal referência para as produções do gênero nas décadas seguintes.
O novo filme da Netflix bebe diretamente dessa fonte. Isso fica claro a cada cena, mas o longa utiliza a obra de 1991 como inspiração, e não como cópia — resultando em uma boa execução de uma premissa clássica.
O Homem que Sussurra é um suspense policial focado em um serial killer que ataca crianças. A narrativa se desenvolve em duas linhas temporais — passado e presente — que se cruzam para sugerir que o vilão atual pode ser o mesmo do passado.
A trama acompanha Tom, um homem viúvo que se muda para uma nova casa tentando recomeçar a vida e se reconectar com o filho de 8 anos, Jake. A relação entre os dois é difícil e, para piorar, o garoto desaparece sem deixar vestígios. O sumiço desencadeia um desespero imediato que mobiliza a polícia, especialmente um detetive que nota semelhanças entre o caso atual e um crime antigo cujo autor já está preso.
Com quase duas horas de duração, o filme tem uma primeira metade cadenciada, sem pressa. Esse início se dedica a estabelecer a dinâmica entre pai e filho e a apresentar pormenores da investigação policial — elementos que preparam o terreno para a trama principal.
A métrica entre casualidade e tensão aposta no simples. A investigação do serial killer segue a fórmula padrão do gênero sem tentar reinventar a roda, o que torna a premissa um pouco batida. Contudo, quando as coincidências entre passado e presente colidem, a entrada de Peter (Robert De Niro) dá novo peso à história. Além de detetive, Peter é pai de Tom, e é no conflito entre esses papéis que o filme realmente acerta.


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